sábado, 5 de janeiro de 2013

Oxfordiano


Primeiro, começaremos por distinguir a Cronostratigrafia da Geocronologia.

Em contraste com a continuidade do tempo físico, o carácter descontínuo do registo do tempo pelas rochas conduz à distinção entre unidades cronostratigráficas que são concretas, correspondentes ao conjunto de matérias rochosos, processos e fenómenos geológicos registados durante um certo intervalo de tempo (exemplo: quantidade de areia depositada numa ampulheta durante um determinado intervalo de tempo) das unidades geocronológicas, abstractas, que exprimem directamente o tempo (exemplo: tempo que demora a areia a depositar-se na ampulheta).

Deste modo, a Sub-Comissão Internacional de Classificação Estratigráfica (Hedberg, 1976, Salvador, 1994) propôs a utilização de termos distintos para as unidades cronostratigráficas e para as unidades geocronológicas.




Em relação ao andar, é uma unidade cronostratigráfica que representa uma sucessão de estratos rochosos dispostos numa única idade na escala de tempo geológico, que geralmente representa milhões de anos de deposição. O andar é, na hierarquia cronostratigráfica, a unidade de categoria mais baixa e representa curtos intervalos de tempo e é designado por um nome, muitas vezes, de uma localidade ou região geográfica onde pela primeira vez foi estudado e definido, acrescido do sufixo «iano»: por exemplo, Oxfordiano para Oxford, em Inglaterra.

Agora sim, poderemos falar sobre o andar Oxfordiano.

Em 1829, A. Brongniart estabeleceu o Oxfordiano como andar.

Na escala de tempo geológico, o Oxfordiano pertence ao período Jurássico da série Superior da era Mesozóica e do éon Fanerozóico que está compreendida entre 161 milhões e 200 mil e 155 milhões e 700 mil anos atrás, aproximadamente.
A idade Oxfordiana sucede a idade Calloviana do período Jurássico da série Média e precede o Kimeridgiano que pertence ao seu período e série (Fig.1)


Fig.1 - tabela cronostratigráfica

Localização do seu estratótipo - Cabo do Mondego, Praia Murtinheira

O Cabo Mondego situa-se na costa marítima portuguesa banhada pelo Oceano Atlântico. Localiza-se no extremo Ocidental da Serra da Boa Viagem.

Em 1996, a International Union of Geological Sciences estabeleceu o primeiro estratotipo (padrão que serviu para definir o andar) de limite do Jurássico (GSSP – Global Stratotype Section and Point) que passou a ser uma referência de tempo geológico com valor mundial.



Nas unidades estratigráficas do Cabo Mondego encontram-se inúmeros fósseis que servem como marcadores que permitem calibrar as escalas do tempo com extraordinária precisão.

Exemplo disso são:
  • As amonites (moluscos cefalópodes com esqueleto externo);
  • Diversas associações paleoflorísticas que permitem fazer reconstituições das paisagens do Jurássico;
  • Fósseis de recifes de coral que caracterizam os ambientes marinhos e icnofósseis que, para além das pegadas de dinossauros terópodes, atribuídas a Megalousaurídeos do Oxfordiano (Fig.2), refletem a composição e atividade de diversos organismos do Jurássico.

Fig.2 - pegada de Dinossauro bípede, Oxfordiano - Cabo Mondego 


Registo fóssil (mais alguns exemplos)

  • Carófitas (Fig.3) (resto de vegetais fósseis encontrado no Lusitano da região de Leiria no complexo inferior (oxfordiano)).
  • Bivalves (Fig.4), ostracodos, gastrópodes, carófitas (região da Serra do Bouro (Caldas da Rainha) no afloramento Formação de Cabaços (Oxfordiano)).
  • Restos de ostreídeos e de corais (Oxfordiano do Monumento Natural do Cabo Mondego).

Fig.3 - Fóssil de Carófitas
















Fig.4 - Fóssil de Bivalves
















Na evolução das bacias meso-cenozoicas de Portugal o Oxfordiano é marcado pela subsidência com taxas elevadas.

Nos sectores mais ocidentais do Baixo Mondego o registo sedimentar recomeça somente no Oxfordiano associado a um novo episódio transgressivo, com depósitos essencialmente lacustres ou lagunares intercalados com algumas bancadas de fácies marinha litoral.


Bibliografia







Henriques, Maria Helena Paiva. ESTRATIGRAFIA: O Tempo em Geologia. Dep. Ciências da Terra. Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra 2002

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