Primeiro,
começaremos por distinguir a Cronostratigrafia da Geocronologia.
Em contraste com a continuidade
do tempo físico, o carácter descontínuo do registo do tempo pelas rochas conduz
à distinção entre unidades cronostratigráficas que são concretas,
correspondentes ao conjunto de matérias rochosos, processos e fenómenos
geológicos registados durante um certo intervalo de tempo (exemplo: quantidade
de areia depositada numa ampulheta durante um determinado intervalo de tempo)
das unidades geocronológicas, abstractas, que exprimem directamente o
tempo (exemplo: tempo que demora a areia a depositar-se na ampulheta).
Deste modo, a Sub-Comissão Internacional de Classificação Estratigráfica (Hedberg, 1976, Salvador, 1994) propôs a utilização de termos distintos para as unidades cronostratigráficas e para as unidades geocronológicas.
Em relação ao andar, é uma
unidade cronostratigráfica que representa uma sucessão de estratos rochosos
dispostos numa única idade na escala de tempo geológico, que geralmente
representa milhões de anos de deposição. O andar é, na hierarquia cronostratigráfica,
a unidade de categoria mais baixa e representa curtos intervalos de tempo e é
designado por um nome, muitas vezes, de uma localidade ou região geográfica
onde pela primeira vez foi estudado e definido, acrescido do sufixo «iano»: por
exemplo, Oxfordiano para Oxford, em Inglaterra.
Agora sim, poderemos falar sobre
o andar Oxfordiano.
Em 1829, A. Brongniart
estabeleceu o Oxfordiano como andar.
Na
escala de tempo geológico, o Oxfordiano pertence ao período Jurássico da série Superior
da era Mesozóica e do éon Fanerozóico que está compreendida
entre 161 milhões e 200 mil e 155 milhões e 700 mil anos atrás,
aproximadamente.
A idade Oxfordiana sucede a idade
Calloviana do período Jurássico da série Média e precede o Kimeridgiano que
pertence ao seu período e série (Fig.1)
| Fig.1 - tabela cronostratigráfica |
Localização
do seu estratótipo - Cabo do Mondego, Praia Murtinheira
O Cabo Mondego situa-se na costa marítima portuguesa banhada pelo
Oceano Atlântico. Localiza-se no extremo Ocidental da Serra da Boa Viagem.
Em 1996, a International Union of
Geological Sciences estabeleceu o primeiro estratotipo (padrão que serviu para
definir o andar) de limite do Jurássico (GSSP – Global Stratotype Section and
Point) que passou a ser uma referência de tempo geológico com valor mundial.
Nas unidades estratigráficas do
Cabo Mondego encontram-se inúmeros fósseis que servem como marcadores que permitem
calibrar as escalas do tempo com extraordinária precisão.
Exemplo disso são:
- As amonites (moluscos cefalópodes com esqueleto externo);
- Diversas associações paleoflorísticas que permitem fazer reconstituições das paisagens do Jurássico;
- Fósseis de recifes de coral que caracterizam os ambientes marinhos e icnofósseis que, para além das pegadas de dinossauros terópodes, atribuídas a Megalousaurídeos do Oxfordiano (Fig.2), refletem a composição e atividade de diversos organismos do Jurássico.
| Fig.2 - pegada de Dinossauro bípede, Oxfordiano - Cabo Mondego |
Registo fóssil (mais alguns
exemplos)
- Carófitas (Fig.3) (resto de vegetais fósseis encontrado no Lusitano da região de Leiria no complexo inferior (oxfordiano)).
- Bivalves (Fig.4), ostracodos, gastrópodes, carófitas (região da Serra do Bouro (Caldas da Rainha) no afloramento Formação de Cabaços (Oxfordiano)).
- Restos de ostreídeos e de corais (Oxfordiano do Monumento Natural do Cabo Mondego).
| Fig.3 - Fóssil de Carófitas |
Na evolução das bacias meso-cenozoicas de Portugal o Oxfordiano é marcado pela subsidência com taxas elevadas.
Nos sectores mais ocidentais do
Baixo Mondego o registo sedimentar recomeça somente no Oxfordiano associado a
um novo episódio transgressivo, com depósitos essencialmente lacustres ou
lagunares intercalados com algumas bancadas de fácies marinha litoral.
Bibliografia
Henriques, Maria Helena Paiva. ESTRATIGRAFIA: O Tempo em Geologia. Dep. Ciências da Terra. Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra 2002
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